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Avaliação Formativa e Mediadora


Bem-vindo(a) ao curso de Avaliação Formativa e Mediadora
Neste componente curricular, pretende-se problematizar o papel da avaliação na escola, especialmente nas Ciências da Natureza, contrapondo o seu papel de aferição de conhecimento ao de formação.
Destacam-se alguns dos tópicos que serão tratados:
  1. As dimensões da avaliação (diagnóstica, formativa e classificatória)
  2. As características da avaliação formativa
  3. A importância do feedback e da autoavaliação na avaliação formativa
  4. Docentes enquanto mediadores do processo de aprendizagem.
Há, também, a preocupação de haver reflexões sobre técnicas avaliativas mais pertinentes às Ciências da Natureza, e que melhor dialoguem com a avaliação formativa.


Objetivo principal
Refletir sobre a avaliação na escola e aprofundar conhecimentos sobre a avaliação formativa e mediadora, e sua aplicabilidade nas Ciências da Natureza em níveis fundamental e médio.


Bibliografia básica recomendada
Ter acesso a bons materiais de consulta é fundamental para que possamos fundamentar nossas teorias e partir para a prática! Assim, estamos disponibilizando diversos materiais que você poderá utilizar durante o semestre.

1. Referências impressas

  • ABRAMOWICZ, M. Avaliando a Avaliação da Aprendizagem: um novo olhar. São Paulo: Lúmem, 1996.
  • FERNANDES, D. Avaliar para aprender: fundamentos, práticas e políticas. Rio Claro: Editora da Unesp, 2009.
  • HADJI, C. Avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artmed, 2001.
  • LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez editora, 2014.
  • PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
  • SAUL, A. M. Avaliação Emancipatória: desafios à teoria e à prática de avaliação e reformulação do currículo. 3.ed. São Paulo: Cortez, 1995.

    2. Referências eletrônicas

  • Avaliar para aprender: fundamentos, práticas e políticas
  • A aprendizagem da avaliação
  • Avaliação formativa: práticas inovadoras
  • VILLAS BOAS, B. M. de F. Avaliação formativa: práticas inovadoras. 2011


    Vídeos recomendados sobre avaliação da aprendizagem


    Conteúdos programáticos

    Semana 1
    Vamos discutir: o que você entende por avaliação? Por que avaliamos os estudantes?

    Semanas 2 e 3
    Vamos iniciar a nossa conversa sobre avaliação. Para tanto, leia os textos sugeridos a seguir.

  • Texto 1: Avaliar para ensinar melhor
  • Texto 2: O que é e para que serve a avaliação em sala de aula?

    Semanas 4 e 5
    O conceito de avaliação diagnóstica não recebe uma definição uniforme de todos os especialistas. No entanto pode-se, de maneira geral, entendê-la como uma ação avaliativa realizada no início de um processo de aprendizagem, que tem a função de obter informações sobre os conhecimentos, aptidões e competências dos estudantes com vista à organização dos processos de ensino e aprendizagem de acordo com as situações identificadas.
    A avaliação diagnóstica tem como principal objetivo identificar as características de aprendizagem do aluno com a finalidade de escolher o tipo de trabalho mais adequado a tais características. Desta forma, a avaliação diagnóstica coloca em evidência os aspectos fortes e fracos de cada aluno, sendo capaz de precisar o ponto adequado de entrada em uma sequência da aprendizagem, o que permite, a partir daí, determinar o modo de ensino mais adequado. Com esse tipo de avaliação, previne-se a detecção tardia das dificuldades de aprendizagem dos alunos ao mesmo tempo em que se busca conhecer, principalmente, as aptidões, os interesses e as capacidades e competências enquanto pré-requisitos para futuras ações pedagógicas.
    Uma das mais importantes características da avaliação diagnóstica é o seu aspecto preventivo, já que, ao conhecer as dificuldades dos alunos no início do processo educativo, é possível prever suas reais necessidades e trabalhar em prol de seu atendimento. Uma outra característica refere-se à possibilidade de que a avaliação diagnóstica tem de determinar as causas das dificuldades de aprendizagens persistentes em alguns alunos.
    As informações obtidas podem auxiliar as redes de ensino bem e as unidades escolares a planejar intervenções iniciais, propondo procedimentos que levem os alunos a atingir novos patamares de conhecimento. Seus resultados, portanto, servem para explorar, identificar, adaptar e predizer acerca das competências e aprendizagens dos alunos.

  • Texto 1: Avaliação diagnóstica: uma ferramenta para avaliar a evolução do desempenho dos alunos do Curso de Odontologia do Centro Universitário Newton Paiva

    Semana 6
    Nesta semana, vamos discutir o conceito de avaliação formativa. Assim, o vídeo abaixo será o incentivador das discussões sobre este tema.

    Semanas 7 e 8
    Vamos discutir sobre as funções da avaliação escolar? Leia o texto a seguir.

    Funções da Avaliação Escolar, por Kamila Cristina Miranda Cruz (Fonte: Fonte do texto)

    1. INTRODUÇÃO
    Durante os últimos anos, a educação tem passado por muitas transformações em sua estrutura curricular e metodológica, e muitas destas mudanças se dão decorrentes dos avanços tecnológicos que acontecem nos campos científico e político-social. No ambiente escolar, o educador assume o papel de mediador, onde ele tenta seguir estas novas tecnologias, buscando, sempre, o caminho correto para acompanhar estes avanços, de acordo com a sua realidade local.
    Como as transformações curriculares estão acontecendo, é hora de revermos o conceito de avaliação. O ato de avaliar sugere a coleta e a análise de dados que tem por objetivo configurar o novo formato de avaliação. Este novo olhar para a avaliação não se constitui de matéria pronta, pois o professor deve utilizar diversas técnicas e instrumentos variados, para que consiga diagnosticar o começo, o durante e o término do processo avaliativo, onde cada educando assume sua identidade.A a avaliação não possui mais o caráter de aprovar ou reprovar um estudante: ela tem por finalidade apontar falhas e auxiliar o professor em sua didática, pois o aluno passa de um ser passivo para um ser dinâmico que ajuda na construção do conhecimento. Diante deste novo cenário da educação, que vem se transformando a cada dia, não podemos esquecer as três funções da avaliação que, segundo os estudos de Bloom (1993), incluem Função Diagnóstica (analítica), Função Formativa (controladora) e Função Somativa (classificatória), as quais têm como objetivo direcionar e aprimorar o trabalho na sala de aula.

    2. DESENVOLVIMENTO
    Quando discutimos o termo avaliar, logo associamos isso com a realização de provas, atribuição de notas e até mesmo reprovar ou aprovar um aluno. Algumas vezes, a avaliação é entendida como a simples transmissão e memorização de informações previamente prontas, onde o aluno é visto como um ser paciente e receptivo. Atualmente, em uma concepção pedagogia mais moderna, a educação é entendida como uma troca, onde as vivências dos alunos são introduzidas no ambiente escolar. Com estas técnicas de ensino, o educando passa a ser ativo e dinâmico, participando ativamente da construção do seu próprio conhecimento e ajudando a incutir valores e transmitir experiências a seus colegas e educadores.
    A avaliação pode ser entendida como um processo de ensino e aprendizagem que deve ser realizada de forma contínua e sistemática na escola. Seu principal objetivo é o de diagnosticara situação de aprendizagem que se encontra em cada aluno em relação ao currículo que está sendo trabalhado; entretanto, não se deve priorizar apenas resultados, mas sim investigar, interrogar e buscar identificar os conhecimentos construídos e as dificuldades que cada educando apresenta.
    Com o processo de avaliação que é aplicado durante todo o período escolar, surge, então o erro, e este é como uma ferramenta que ajuda a indicar como o aluno está relacionando os conhecimentos (que de certa forma já possui) com os que vão sendo adquiridos, e esta intervenção é necessária para que aconteça o processo de construção e reconstrução de cada indivíduo. Toda resposta que o aluno mostra durante o processo de aprendizagem (certa ou errada) é a forma de ele expressar os conhecimentos que já foram adquiridos e um ponto de partida para o recomeço.
    (...) Também podemos dizer que o aproveitamento de cada aluno reflete, em grande parte, a didática de cada professor apresenta. Esta temática pode ser observada no decorrer do ano quando temos, por exemplo, alguma substituição de professor, ou até mesmo o fato de o conteúdo que está sendo apresentado à turma no momento: este fato fica claro quando a maioria da turma tem um desempenho ruim durante uma ou mais avaliações.
    Dessa maneira, a avaliação fornece informações muito importantes, as quais nos possibilitam verificar diretamente o nível de aprendizagem de cada aluno e também, indiretamente, determinar a qualidade do processo de ensino e, consequentemente, o sucesso do trabalho docente. Nesse sentido, podemos dizer que a avaliação assume a função de feedback dos procedimentos de ensino-aprendizagem, ou seja, fornece dados ao professor para que ele possa repensar e até , se for preciso, replanejar sua didática tendo como principal objetivo o aperfeiçoamento de cada aluno e buscando sempre melhores resultados.
    Antigamente, a avaliação possuía um caráter seletivo porque era vista como uma maneira de promover o aluno de uma série para outra. Hoje, a avaliação assume novas funções, pois é um meio de diagnosticar e de verificar em que medida os objetivos propostos estão sendo atingidos; logo, a avaliação assume uma dimensão orientadora (LUCKESI 2003).
    (...) A sociedade precisa se conscientizar que aspectos não são notas mas, sim, registros de acompanhamento do caminhar de cada aluno, pois sendo este bem orientado, saberá sem dúvidas dizer quais são seus pontos fortes, o que aprendeu durante a aprendizagem e o que ainda precisa construir e precisa melhorar.

    2.1 FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO
    De acordo com os estudos de Bloom (1993), a avaliação do processo de ensino-aprendizagem apresenta três tipos de funções: diagnóstica (analítica), formativa (controladora) e somativa (classificatória).
    a) A avaliação diagnóstica (analítica) é adequada para o inicio do período letivo, pois permite conhecer a realidade na qual o processo de ensino-aprendizagem vai acontecer. O professor tem como principal objetivo verificar o conhecimento prévio de cada aluno, tendo como finalidade constatar os pré-requisitos necessários de conhecimento ou habilidades imprescindíveis de que os estudantes possuem para o preparo de uma nova etapa de aprendizagem. (...) Esta forma de avaliação pode ser utilizada antes e durante o processo de ensino-aprendizagem tendo diferentes finalidades. Sendo realizada antes do processo, tem como foco sondar se o aluno apresenta os conhecimentos necessários para que a aprendizagem possa ser iniciada. Se ocorrer durante o processo, será utilizada para identificar as causas das falhas de aprendizagem e possibilitar a implementação de recursos para corrigi-las.
    b) A avaliação formativa (controladora) é aquela que tem como função controlar, devendo ser realizada durante todo o período letivo, com o intuito de verificar se os estudantes estão alcançando os objetivos propostos anteriormente. Esta função da avaliação visa, basicamente, a avaliar se o aluno domina gradativamente e hierarquicamente cada etapa da aprendizagem, antes de avançar para outra etapa subsequente de ensino-aprendizagem. É com a avaliação formativa que o aluno toma conhecimento dos seus erros e acertos e encontra estímulo para continuar os estudos de forma sistemática. Para que esta forma de avaliação ocorra, é necessário que seja controlada e, porque orienta o estudo do aluno ao trabalho do professor, também podemos dizer que é motivadora no sentido de evitar as tensões causadas pela as avaliações tradicionais.
    c) A avaliação somativa (classificatória) tem como função básica a classificação dos alunos, sendo realizada ao final de um curso ou unidade de ensino, classificando os estudantes de acordo com os níveis de aproveitamento previamente estabelecidos. Atualmente, a classificação dos estudantes ocorre segundo o rendimento alcançado, tendo por base os objetivos previstos. Para Bloom (1983), a avaliação somativa "objetiva avaliar de maneira geral o grau em que os resultados mais amplos têm sido alcançados ao longo e final de um curso". É através deste tipo de avaliação que são fornecidos aos estudantes os chamados feedback, os quais informam o nível de aprendizagem alcançado, se este for o objetivo central da avaliação formativa; presta-se, também, à comparação de resultados obtidos, visando também à atribuição de notas.

    3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
    O objetivo deste trabalho foi o de apresentar a nova visão da avaliação escolar, onde os alunos passam a contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem, a qual passa a assumir novos papeis buscando identificar os conhecimentos adquiridos ao longo da etapa escolar, bem como as dificuldades que cada educando possa vir a apresentar. A avaliação escolar fornece informações muito importantes para o educador pois, a partir das respostas dadas pelos alunos, o professor consegue reavaliar alguns conceitos e, muitas vezes, repensar a sua didática de trabalho para que, assim, haja um maior aproveitamento da turma e uma troca de conhecimentos entre colegas e educadores.
    A partir dos estudos de Bloom, a avaliação possui três funções principais: diagnosticar os conhecimentos prévios dos alunos (...), promover a avaliação formativa, que preza pelo controle e verificação se os alunos estão atingindo os objetivos propostos anteriormente (e, portanto, auxiliando o professor na identificação de deficiências), e (...) promover a função somativa, que tem como objetivo classificar os alunos no final de um módulo ou curso de acordo com o rendimento de cada um.

    REFERÊNCIAS
    BLOOM, B. S.; HASTINGS, T.; MADAUS, G. Manual de avaliação formativa e somativa do aprendizado escolar. São Paulo: Pioneira; 1993.
    LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática. 1.ed. Salvador: Malabares Comunicação e Eventos, 2003.

    Semana 9
    O texto a seguir traz uma reflexão sobre dois tipos de avaliação. Vamos ao texto:

    Avaliação classificatória x avaliação progressiva, por Josué Geraldo Botura do Carmo (fonte: Fonte do texto)

    "Esta maldita tarefa de aprovar ou reprovar aluno foi imposta há séculos aos professores, de tal forma que, num primeiro momento, torna-se muito difícil nos livrarmos dela, já que se tornou, para a grande maioria dos docentes, algo absolutamente natural" (APEOESP).
    A escola brasileira se vê pela primeira vez na sua história diante do dilema da alfabetização e da aprendizagem, uma vez que o novo paradigma da globalização exige, para que se possa competir com os países do hemisfério Norte, uma população letrada. E essa escola que até agora tinha como papel principal a classificação de alunos, determinando aqueles que seriam dirigentes e aqueles que seriam dirigidos, numa atitude de exclusão; se sente impotente diante da nova tarefa que lhe é imposta: a de inclusão.
    E toda a estrutura que havia sido montada para a escola de exclusão social, tem que ser desmontada, para que se possa construir a escola de inclusão social. Para isso há que se pensar em uma nova estruturação do espaço físico, uma nova estruturação do currículo, uma nova estruturação do tempo escolar e uma nova estruturação no campo da formação dos profissionais da educação.
    O fim da avaliação classificatória que teria que ser vista como um avanço, devido a distorções historicamente acumuladas, vem sendo um campo de equívocos e discórdias entre os profissionais da educação. Precisamos superar os limites e as contradições e seguir adiante, acreditando que um outro mundo é possível, conscientes de que a humanidade pode e deve ser mais feliz. E este outro mundo precisa contar com uma outra educação, que implica também em uma outra forma de avaliação escolar, pois a que tivemos até agora tem provocado enormes estragos. Se não mudarmos de paradigmas, se não descondicionarmos o olhar, torna-se mais difícil vislumbrar novas possibilidades.
    Se por um lado ouvimos professores defenderem com convicção que a retenção é uma coisa boa, ou um mal necessário, por outro lado presenciamos os órgãos oficiais impondo aos professores a obrigação de aprovar os alunos. Imposição essa, sem nenhum trabalho de sensibilização e capacitação. Essa decisão tem que partir dos educadores, de pouco adianta acabar formalmente com a lógica classificatória sem uma consciência de fato.
    Partamos do princípio de que a avaliação tem uma conotação altamente ideológica (muitos preconceitos enraizados, das formas mais sutis), e tem uma profunda base na lógica social maior. E que o acesso ao saber é a contribuição específica da escola na formação da cidadania.
    A única certeza que temos em termos de avaliação é que se faz necessário a proposição de uma outra forma de avaliação, como prática democrática, de inclusão e emancipação no sistema educacional brasileiro. Na história da educação do Brasil, observamos a repetência sendo usada como uma forte arma para exclusão do acesso ao saber, para a expulsão das escolas, dos pobres e dos negros, mantendo assim as classes sociais, bem comportadas, sem conflitos aparentes. Sabemos também "que exclusão no interior da escola não se dá apenas pela avaliação e sim pelo currículo como um todo (objetivos, conteúdos, metodologias, formas de relacionamento, etc.). No entanto, além do seu papel específico na exclusão, a avaliação classificatória acaba influenciando todas estas outras práticas escolares”.
    O problema da avaliação está em sua intencionalidade, na sua lógica classificatória e excludente, que tem sua raiz fora da escola, tem sua raiz na lógica seletiva social. A avaliação classificatória é uma questão mais política que pedagógica. Os professores vêm sendo usados historicamente pelo sistema para a reprodução das desigualdades sociais. O professor tem que resgatar a compreensão de que o seu papel fundamental é ensinar, criando condições para a efetiva aprendizagem e desenvolvimento de todos e não o de medir, julgar, disciplinar e selecionar. E ficam os professores ao invés de se preocuparem com a aprendizagem, com o saber, tendo que se preocupar em selecionar os melhores e domesticá-los para o sistema.
    A escola concebida como espaço de formação da pessoa, do cidadão tem uma outra configuração. Essa nossa escola já é organizada tendo em vista os que "vão" e os que "não vão" e ela é destinada para os que "vão". E a escola continua a transmitir conteúdos, medir, reter, premiar ou punir o aluno de acordo com o seu desempenho. A questão não tem sido a de intervir para qualificar, mas a de rotular para excluir.
    A organização em seriação do sistema de ensino reforça a idéia de reprovação, pois cada série é um "estágio". Se o professor tiver receio de que o aluno não acompanhará o estágio seguinte, este aluno será retido. Falta uma visão de continuidade do processo de aprendizagem e desenvolvimento do aluno. O grande problema da avaliação é a sua vinculação a uma lógica social de exclusão, através dos mecanismos de classificação a que está submetida.
    O problema não é aprovar ou reprovar, mas favorecer a aprendizagem e o desenvolvimento humano de todos. O que tem que mudar é a forma de avaliar o aluno.
    "O grande nó da avaliação escolar está, pois, nesta lógica classificatória e excludente. É claro que existem outros problemas na avaliação, seja em termos de conteúdo, forma, relações. Só que de muito pouco adianta mexer nestes outros aspectos se sua intencionalidade não for alterada. Queremos deixar muito claro, logo de partida, o nosso enfoque: estamos a combater a classificação excludente, e não só a reprovação, uma vez que a mera aprovação do aluno pode ser tão excludente quanto a reprovação, já que também não está levando à efetiva apropriação do conhecimento. Precisaria ficar muito patente que o nosso problema não é (não deve ser) aprovar ou reprovar, mas favorecer a aprendizagem e o desenvolvimento humano de todos”. (APEOESP)
    O professor vai defender a reprovação dizendo que "não se pode enganar o aluno", "é preciso manter o nível do ensino", "se precisa fazer alguma coisa diante do fato do aluno não estar aprendendo", "é preciso preparar o aluno para a vida" etc.
    "A simples defesa do fim da reprovação e, por conseqüência, a bandeira da mera aprovação/empurração cria um clima de afrouxamento ético, o que não é, com certeza, bom para o avanço da luta pela democratização do saber. O professor não pode perder o brio, o senso ético e, conseqüentemente, a responsabilidade por seus atos”. (APEOESP)
    De um lado, uma concepção autoritária, excludente, mas com longa tradição, e, de outro, a concepção emergente, de cunho democrático. A avaliação progressiva se apresenta em oposição à tradicional organização seriada do ensino, pautada na rígida “distribuição de objetivos e conteúdos” e em “anos letivos”. O que está posto, no limite, com a idéia de progressão, é a construção da escola sob o compromisso de incluir os alunos historicamente dela excluídos, sob a alegação de que não se adaptam às suas regras, rituais e aos conteúdos por ela legitimados.
    O que a escola tem que fazer e não faz é assumir o compromisso com a aprendizagem efetiva na continuidade do estudo, e desta forma não teria que interromper processo algum com reprovações. A reprovação é uma necessidade dentro da estrutura perversa em que a escola está fundamentada. O ser humano não é para ser aprovado ou reprovado. Ele tem direito fundamental à existência, à cultura, ao conhecimento, ao desenvolvimento.
    A avaliação não é neutra e nem uma simples atividade técnica no âmbito pedagógico, ela tem cunho ideológico e vai ter repercussão em várias esferas da existência. Basta olhar e vermos ao nosso redor a desigualdade social. A escola é uma das grandes responsáveis, é ela que através de sua estrutura, seja através de seu currículo explícito, ou oculto, de seus rituais, de seus silêncios, na hora da avaliação, ou na hora da classificação dos alunos em turmas A, B ou C, mantém a desigualdade social e todos passam a achar coisa natural, e fica fácil de ser mantida esta estrutura na sociedade.
    O desafio que se coloca aos profissionais da educação é o de analisar as condições de possibilidade de práticas alternativas de avaliação.
    A avaliação classificatória ocorre, e sentimos necessidade de recorrer a ela, porque um conjunto de fatores acaba contribuindo para isto. A estrutura organizativa da escola não nos deixa ver outra saída que não essa. E enquanto houver a mentalidade de que existem pessoas de categorias diferentes, a avaliação classificatória vai permanecer no interior da escola. Mudar a forma da avaliação é mudar a sociedade. Assumir a idéia de progressão na trajetória escolar supõe ter como um dos pressupostos da organização do trabalho a diversidade dos alunos, decorrente de suas características individuais e de classe social e, portanto, a aceitação de que estes trilham caminhos diversos de aprendizagem, em ritmos diferentes, que se manifestam em especificidades de trajetórias escolar e de vida.
    A avaliação é uma atividade de acompanhamento e transformação do processo de ensino-aprendizagem, através da observação, análise, registro, reflexão sobre o que foi observado e registrado, comunicação dos resultados e tomada de decisão para atingir os objetivos que ainda não foram alcançados. E para isso esbarramos com as questões de salas superlotadas, com tempo reduzido, sem condições reais do professor poder fazer um acompanhamento honesto de seus alunos, fazendo diagnósticos, analisando a situação, dando retorno ao aluno de seus limites e seus avanços, e preparando novas atividades que poderão auxiliar o aluno na superação de seus limites.
    E ficamos discutindo se a organização é ciclo ou seriação (já ouvi até a classificação de “ciclo-seriação”), se é nota ou conceito, se há retenção ou se não há retenção. O problema é bem outro. E se conseguirmos resolver a questão da qualidade não importa que seja ciclo ou seriação, nota ou conceito. E a forma como o aluno vai ser avaliado tem que partir dos professores, não adianta vir receita pronta elaborada pelos "iluminados", por mais "iluminados" que sejam, moradores das altas esferas governamentais.
    E uma coisa tem que nos ficar claro: a avaliação progressiva não pode ser confundida com "aprovação automática", servindo apenas à regularização do fluxo escolar, como tem sido usada por muitos governantes para o fim da repetência. É necessário que sejam garantidas, pelo poder público, condições às escolas para desencadearem um processo coletivo de reflexão, que apóie intervenções consistentes. As mudanças que se exigem não são meramente técnicas, mas sim políticas e ideológicas, impondo o confronto com valores arraigados na cultura escolar.
    Para finalizar, Bittencourt (2003) vai fazer uma análise do papel social da escola no Brasil. A autora afirma que no início somente uma pequena elite entrava para a escola, mais tarde os que entravam e não eram da elite eram expulsos das escolas. Esse fato ocorreu até a década de 60 quando a garantia de vagas para todos nas escolas públicas passou a ser tratada como um problema de política internacional e a expulsão passou a ser constrangedora para as escolas. O que aconteceu então? Não havia mais expulsões, ou melhor, a expulsão aparece com o nome de evasão escolar. E a causa de tanta evasão é a reprovação. O aluno agora não era mais expulso, mas de tanto ser reprovado, acabava por abandonar a escola. O poder público, então, em vários Estados da União, decretou o fim da reprovação. Passou então a ocorrer o seguinte fato: “As crianças e os jovens estão na escola, permanecem nela e recebem seus diplomas, mas não sabem o que deveriam saber ao deixar a escola. Descobriu-se que a escola não ensina, que os alunos não aprendem, que os professores não sabem, que nossos índices de desempenho estão entre os piores do mundo”.
    A autora vai dizer que o que mudou foi apenas o registro burocrático: expulsão, evasão, baixos índices de desempenho escolar. Fica claro, portanto o papel social da escola até agora: o da exclusão social: selecionar, classificar, distinguir, hierarquizar. E a escola por si só não consegue produzir a igualdade numa sociedade desigual, excludente e injusta.

    REFERÊNCIAS (consulte o final do artigo aqui)

    Semanas 10 e 11
    Nestas semanas, vamos compartilhar experiências profissionais em relação a momentos avaliativos. Para subsidiar as discussões, há um texto interessante:

  • Texto 1: Leia este artigo

    Semanas 12 a 15
    Nestas duas semanas, vamos discutir sobre a mediação docente.

  • Texto 1: Aspectos constitutivos da mediação docente e seus efeitos no processo de aprendizagem e desenvolvimento
  • Texto 2: O fórum livre como recurso de melhoria da relação tutor-aluno no ambiente virtual: a experiência do ‘bote a boca no trombone...!’
  • Texto 3: A mediação docente como interatividade: elementos essenciais para a educação na modalidade on-line em ambientes virtuais

    Semanas 16 e 17
    Estamos chegando ao final do semestre... Já é hora de discutirmos mais criticamente sobre o que aprendemos, discutimos e refletimos nestas quinze semanas. Convido você a refletir e discutir sobre os textos a seguir.

  • Texto 1: A avaliação no Ensino de Ciências Naturais nos documentos oficiais e na literatura acadêmica: uma temática com muitas questões em aberto
  • Texto 2: Saeb em 2019 terá testes de ciências para 9º ano e avaliação de alfabetização para o 2º

    Semana 18
    Chegamos à última semana do curso! Agora, é hora de fazermos a autoavaliação e um balanço geral deste componente curricular.

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